quinta-feira, 28 de novembro de 2013

11º capítulo Limões e limonada



“Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990 voltando assim para o Rio de Janeiro. No dia 7 de julho de 1990, Cazuza morre aos 32 anos por um choque séptico causado pela AIDS. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão, coberto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho. Cazuza foi enterrado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de Mármore do túmulo aparece o título de seu último grande sucesso, "O Tempo Não Para", e as datas de seu nascimento e morte. Em sua lápide nada consta além de seu famoso codinome”                           
O Brasil chorava a  morte de um grande Ídolo da música. Os pais do ídolo choravam a perca de um filho.
Um homem que poderia ter tudo, mas foi pego de surpresa pelas ironias da vida e de nossos atos.
Flora estava novamente internada. 
Os exames em busca de um doador em sua família, não revelaram ninguém compatível. A medicação e o tratamento estavam sendo feito, mas a doença era silenciosa, rápida e devastadora.
As visitas das amigas eram uma constante e quando estava em casa, ela procurava levar sua vida, normalmente. 
Júlia pedira permissão aos pais para levar os resumos das aulas e estudar com a amiga aos sábados quando ela não pudesse ir a aula.
Uma campanha em busca de doadores fora iniciada pelas amigas e o Grêmio da Escola. A cada tentativa uma sombra de esperança. Todos fizeram os exames. Até mesmo a pequena Nila, por pedido de Júlia.
Era sábado. A semana fora tão agitada e corrida, com a chegada do recesso escolar.
Estava no portão da casa de Sr Ferreira olhando a rua, enquanto a noite  não chegava.
Fechou os olhos e suspirou. Ano passado nessa data estava na casa de suas avó...
Alguém parou a seu lado e tocou seu braço.
- Oi Júlia! – falou Angela.
- Oi Angela! – cumprimentou dando um abraço na amiga. – A quanto tempo... anda lendo muito?
- Como me afastar dos livros?rsrsrs sem eles eu não vivo... – e olhando atentamente Júlia, completou – você está bem?
- Eu? Sim, sim rsrs estou apenas preocupada... minha amiga está com Leucemia.
- Hum, já li a respeito... mas qual o problema? Ela não está fazendo o tratamento?
- Está sim, mas os médicos disseram que a doença está muito avançada e somente um transplante ajudasse. Contudo, não estamos conseguindo doador...
- Sabe, tudo tem seu tempo! - começou olhando sério para Júlia - Deus tem grandes planos para cada um de nós, mas muitas vezes só sabemos o resultado de suas ações muito tempo depois e algumas vezes nem chegamos a saber os resultados...
- Pois é, Eclesiastes 3 e Filipenses 4 têm sido minhas leituras constantes.
- Não é apenas ler Júlia. Aprender, dói! crescer e se tornar adulto, dói! a vida é dolorosa! mas também tem seus encantos, seus momentos...
- Olha só quem fala...
- Não sou eu apenas, Jú, estou aprendendo, tenho meus altos e baixos também. Poderia me lamentar pelo resto da vida! tem dias que nem quero sair da cama...
- Sei como é...
- Mas não posso perder a esperança, a fé...
Júlia lembrou de Leo e jogo de Xadrez. 
Quanto tempo não o via, não participava da aula de teatro...
- Se a vida lhe der limões, você tem de fazer uma limonada, sacou?
- Ham – piscou Júlia sem entender. – Limonada?
- Pois é rsrsrs Você machucou suas mãos, mas o que você está fazendo? Chorando ou aprendendo algo novo?
- Bom, eu... bom, eu... – ai veio o estalo – Pollyana!
- Haham Pollyana e o jogo do contente.- sorriu Angela.
- Mas isso não funciona sempre... quer dizer os mendigos, os doentes...
- Certo, ninguém vai ficar rindo disso, Jú!  você vai levar o riso até eles, a esperança, Cristo.
- Eu! Como?
- Ora, ora não é você aqui nesse jornal?
E estendeu uma reportagem para Júlia do Diário de Pernambuco que estava colada em seu caderno.
“ Dois alunos, da Escola Municipal Pedro Augusto, aceitaram o desafio do grupo de teatro e  vestidos de mendigos vagaram pelas ruas do Recife nesse mês de maio.
 A aluna Júlia, muito tímida,comentou: a ideia foi do Leo! Jamais poderia pensar em algo assim! Uma garota de rua chegou a dividir seu pão comigo... aquilo me deixou sem ação.
 Leo, como prefere ser chamado, acrescentou, com os olhos marejados de lágrimas: certa noite ao voltar pra casa encontrei um bêbado na rua. Aquilo doeu em meu coração, pois muitos passavam por ele sem reparar e outros chutavam, batiam... teve um cara  que jogou um balde de água nele! tive pena, pois todos somos humanos. Levantei o homem e fui perguntando até chegar a casa dele, onde vi que, realmente, somos todos iguais. A sua esposa estava lá desesperada, sem notícias e os filhos dele já estavam dormindo. Ela contou que ele tinha sido demitido e estava desesperada. Nunca tinha feito aquilo antes, mas depois de perder o emprego e dinheiro da poupança no confisco das cadernetas , resolveu dar cabo de sua vida. Vi meu pai, naquele homem desesperado. Ele que poderia ter sido morto por maloqueiros de rua....”  
Terminou de ler e  ficou olhando o velho caderno em suas mãos, antes de entregar de volta. Notou outros recortes e alguns rabiscos, parecia com seu diário.
- Isso foi ideia do Leo...
- E qual a sua ideia para a vida?- falou sem rodeios- Diga-me e talvez eu escreva sua história um dia rsrsrs
- Sei... e quem vai querer ler? quem vai querer saber da  História de Júlia? Ham?
- Quem sabe? Muita gente acredito... - falou pensativa.
- Hum... quer saber de uma coisa? você me deu uma ideia... - falou sorrindo misteriosamente para Angela.
- Qual?
- Você vai saber... vou fazer uma limonada!
- Bem docinha?
- Quem sabe? – e olhando sério para a amiga, convidou:
- Você faria um teste de sangue para ser doadora?
- Faria sim. É só me dizer onde.
As duas acertaram os detalhes e entraram juntas. Angela queria conversar com a avó e convidou Júlia para ir junto.
Naquela noite pegou o diário esquecido em um canto e escreveu:

14/07/1990

Querido Diário

Não me esqueci de você!
Apenas o fim desse semestre estava me deixando hiper-atarefada.
 Flora continua o tratamento e até agora não achamos um doador. Conversei com a Angela e ela topou fazer o teste também.
Acredita que, justamente, ela me deu a luz sobre o que tenho de fazer na minha vida... estou pedindo a Deus que esta seja sua vontade, ainda não tenho certeza, sabe, e não quero comentar com ninguém. Perdoe-me, mas nem você pode saber...
Conversamos muito hoje, a Angela tem cada uma rsrsrs imagine que ela disse que ia escrever minha história hahaha logo a minha?
Quem iria gostar de ler algo mim?
As férias começaram e hoje me dei conta que nunca mais vi o Leo, desde o desafio...
Na igreja, as coisas estão bem paradas sem o coro infantil.
Queria me sentir como antes, quando ia a igreja e sabia o que fazer, agora parece que Deus não quer falar comigo, algo dentro de mim está diferente...
Será que minha fé acabou?
Se é isso, tenho de juntar todos os limões e fazer uma limonada bem docinha, como a Angela falou, pra renovar minha esperança e fé!

Ps: Brasil perdeu a copa da Itália ( nem passou das oitavas) e a Alemanha é a ganhou

Será que um dia verei o Brasil erguer a taça?

3 comentários:

Bia Suzena disse...

Oi, Angela... eu aqui, colocada em cada novo cap!!!! esperando por maiiiiss... beijos!!!

Tok Charme disse...

Adorei seu blog muito lindoo! aqui fiz meu blog com muito carinho, faça uma visitinha e segue lá. Estarei acompanhando sempre seu blog pois gostei muito http://tokcharm.blogspot.com.br/

Angela Lira disse...

Parece que ando adivinhando teus pensamentos né Bia? kkk

Tok passarei sim lá no seu blog!